Viver é uma troca. E talvez por isso a Arte da sobrevivência
passe, por muitos, despercebida.
Trocamos partes da nossa vida por episódios inquestionáveis.
Ofertam-nos coisas ‘bonitas’ e aceitamos, porque está em nosso imaginário a
sublime capacidade de pagar pelo preço que se pede.
Pagamos em moedas estranhas, mas, somos capazes de sorrir
porque temos.
Entretanto, deixamos aos poucos e cada dia mais, de ter tempo para estar ao lado de pessoas que nos amam e que amamos. E no frenesi
dessas buscas insaciáveis vamos longe por acreditar que elas sempre estarão lá.
Lá onde há muito deixamos de ir, aonde crescemos e de onde partimos, onde
passamos no caminho que seguimos.
Nossos anseios se tornam maiores do que as nossas
necessidades.
Queremos sempre impressionar as pessoas que nos questionam e
nos desafiam, as que passaram por nós e as que chegarão.
E nessa batalha intensa mergulhamos na esperança de um dia
poder sentar e durante o entardecer, rever a nossa história para então contar e
cantar as nossas fadigas e superações em ritmo frenético de poemas
incandescentes, isto é, se a memória nos permitir.
Em nenhum momento nos damos conta de que o que tem que ser
narrado ao nosso respeito, ressoará melhor nas lembranças das pessoas que estão
conosco.
Quantas vezes não olhamos para os lados por estarmos preocupados
com a nossa história? E por isso deixamos de olhar nos olhos dos outros.
Quantas pessoas sabem a cor dos nossos olhos? E quantas
vezes olhastes intensamente para alguém e se tornaste inesquecível pelo olhar?
Em buscas das nossas pretensões nos perdemos por acreditar
que estamos a construir.
Maryellen Crisóstomo
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