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Ocaso da nossa Aurora

Viver é uma troca. E talvez por isso a Arte da sobrevivência passe, por muitos, despercebida.
Trocamos partes da nossa vida por episódios inquestionáveis. Ofertam-nos coisas ‘bonitas’ e aceitamos, porque está em nosso imaginário a sublime capacidade de pagar pelo preço que se pede.
Pagamos em moedas estranhas, mas, somos capazes de sorrir porque temos.
Entretanto, deixamos aos poucos e cada dia mais, de ter tempo para estar ao lado de pessoas que nos amam e que amamos. E no frenesi dessas buscas insaciáveis vamos longe por acreditar que elas sempre estarão lá. Lá onde há muito deixamos de ir, aonde crescemos e de onde partimos, onde passamos no caminho que seguimos.
Nossos anseios se tornam maiores do que as nossas necessidades.
Queremos sempre impressionar as pessoas que nos questionam e nos desafiam, as que passaram por nós e as que chegarão.
E nessa batalha intensa mergulhamos na esperança de um dia poder sentar e durante o entardecer, rever a nossa história para então contar e cantar as nossas fadigas e superações em ritmo frenético de poemas incandescentes, isto é, se a memória nos permitir.
Em nenhum momento nos damos conta de que o que tem que ser narrado ao nosso respeito, ressoará melhor nas lembranças das pessoas que estão conosco.
Quantas vezes não olhamos para os lados por estarmos preocupados com a nossa história? E por isso deixamos de olhar nos olhos dos outros.
Quantas pessoas sabem a cor dos nossos olhos? E quantas vezes olhastes intensamente para alguém e se tornaste inesquecível pelo olhar?

Em buscas das nossas pretensões nos perdemos por acreditar que estamos a construir.

Maryellen Crisóstomo

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30/06

Não peço à Deus a graça de poder narrar minhas histórias, apenas a dádiva de vivê-las. "É bom olhar pra trás E admirar a vida que soubemos fazer É bom olhar pra frente, é bom, nunca é igual Olhar, beijar e ouvir cantar um novo dia nascendo É bom e é tão diferente [...]" (Dessa vez - Nando Reis) Self: M. Crisóstomo

Dúvidas

M. Crisóstomo Ainda não sei, se te olho disfarçadamente ou se contemplo a sua presença. Se caminho ou se corro em sua direção. Se lhe estendo apenas uma mão ou lhe ofereço meu abraço. Não sei se sorrio ao olhar em teus olhos, ou se mantenho a indiferença. Tenho dúvidas se aceito a despedida ou se lhe peço para ficar. Não sei se pergunto por quanto tempo vais ou se posso seguir contigo... Não sei se lhe envio os versos dedicados ou se apago-os ao terminar de digitá-los... Um dia ao recordar todos os poemas que lhe dediquei, reescreverei-os e a ti me entregarei. Imagem: reprodução da internet

(En)constraste-me

Foto: M. Crisóstomo Trazia nas mãos a mais nobre das oferendas: a gratidão. No olhar, a humildade de quem aprendera que desta vida nada se leva. Tinha a voz calma e uma serenidade contagiante. A sua face revela as marcas inevitáveis do tempo que passa e leva consigo o que a juventude não pode conter. Seu olhar é compreensivo e de alguma forma, não me sinto inédita em tua presença. Sua experiência já sabe o que eu sentia e o quanto era efêmero. Toda força física agora convertida em palavras sábias. Com o timbre enfraquecido, ouvi-la exigia o silêncio interno. Ela mudou tanto que cabia perfeitamente no meu abraço. Sem pressa ou qualquer resistência, nunca hesitou adormecer ao som do meu coração. Não sabia quanto tempo lhe restava, mas, sentia que o meu estava esgotando. Texto: M. Crisóstomo