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Mostrando postagens de 2015

Relato de uma metade

Imagem da Internet Ela tinha os olhos encantadores e trazia em si o sorriso mais cativador que já vi. Por traz do tom da sua voz tinha algo que eu não bem o quê, mas, tinha a ligeira impressão de que se a ouvisse por alguns instantes a mais, descobriria... se foram 15 anos. Nunca a questionei o que seria, mas, de alguma forma ela sabia que eu gostava de ouvi-la. Após cada frase o riso era certo, mesmo que uma lágrima viesse em seguida. Era esse riso que por vezes representava um ponto final e, noutras, um ponto sequente, que me fazia destinar-lhe toda a minha atenção. Eu conheci nela, a maior variação de sorrisos que um ser pode dispor. Me apaixonei todos os dias. Ela não era uma pessoa comum. Tive a sorte de descobrir e valorizar isto muito antes que outros. Agradecia a Deus por acordar ao lado dela e ouvir a sua voz rouca a me dizer: “Bom dia Amor! Que tenhamos e sejamos Paz!”. Mas, independente de ela me dizer isso, o meu dia seria feliz porque ela estava al...

Volta quando sentires saudades

M. Crisóstomo Imagem da Internet Não importa para onde tu vais ou por quanto tempo demores. Importa que o teu regresso seja impulsionado pela saudade. Saudade do riso fácil, ora discreto, ora sem reservas. Saudade do beijo esperado ou roubado, mas, todos com cumplicidade. Saudade do banho demorado, de dividir o chuveiro, o espelho e do abraço sob a água que cai. Saudade de compartilhar a cama, o travesseiro e  o cobertor. Saudade de ouvir a respiração ofegante e o coração acelerado, de sentir o abraço que acolhe, protege e dignifica cada instante. Volta para tomarmos café, para pedirmos pizza no meio da noite, para conversamos sobre o lançamento da sequência do livro, do filme, do novo CD daquela banda que tanto gostamos. Volta pra eu te contar como foi o meu dia e para me contar como foi o teu dia. Volta pra eu te olhar nos olhos e abraçar-te em seguida. Volta quando sentires saudades para que cada momento seja igualmente único. Volta, se lhe...

Inevitável

M. Crisóstomo Foto: Maryellen Crisóstomo (Rio-Niterói) Àquele desejo ínfimo de nem mesmo respirar. Que invade e atropela qualquer expectativa de Ser, de Ter e Crer. O sabores que diluem e emanam do vazio. Quando escrever é mais que uma arte e se torna uma necessidade, uma fuga do Ser, do Sentir. A rebeldia do existir, o exílio da alma e da calma. A serenidade em devaneio de leve, bem leve. Por vezes completamente, outras, tormenta. Sutilmente, ou, num esforço súbito, talvez bastasse respirar, apenas respirar um pouco. As palavras sem nexo substituem os vazios da página e abrem lacunas no magma do Ser. Um arrepio, a razão, o medo, o desejo e o inevitável:  o esquecimento.

Subitamente

M. Crisóstomo Àquela saudade que a gente leva na lembrança, no peito, na mochila, no bolso, no olhar, no pensamento, no sorriso, no aroma, no ímpeto e no esquecimento. De leve, bem leve, o toque e o arrepio... Eleva-me. Ps. Este texto ficou sem ilustração porque eu não quis o óbvio e não encontrei algo complementar

Com a distância os dias se transformam em anos

Imagem da internet M. Crisóstomo Do lado oposto, a minha visão periférica captava a tua expressão estatizada a observar os meus movimentos. Inquieto e tenso, repetidas vezes fui do armário para a mala com as mãos ocupadas. Tentei, da melhor maneira, ajeitar cada peça no espaço que fora preenchido com rapidez. Na penteadeira, separei os meus pertences e os juntei a bagagem sobre a cama. Com um nó na garganta, não pude falar. Podia ouvir a tua respiração que, com os meus movimentos, interrompia o silêncio angustiante. Por vezes quis sair correndo, sem levar qualquer objeto, pelo fato de não ter que tocá-los e despertar lembranças que já não podem ser revividas. Apesar da pressa, demorei mais do que o necessário. A tua presença deixara-me naturalmente sem ação. Queria poder lhe dizer tantas coisas. Faltaram-me as palavras quando ao erguer os olhos encontrei os teus a sustentar-se em minha pessoa. Mirei-o por um instante e recolhi-me em minha inconstância. Sentei na cama, abri a últ...

A arte da observação

M. Crisóstomo Imagem do Twitter Do lado oposto, tua calma despertou minha atenção. Cruzei a multidão com os olhos fixos em tua pessoa repousada em uma cadeira de fibras a observar os transeuntes ora dançantes, ora a procura de um lugar. Tua fisionomia a me denunciar que tempo lhe fora implacável.  Tuas mãos sobre a bengala a me dizer que já não poderias sustentar teu próprio corpo por si só.  No rosto, a expressão de encantamento ao invés de surpresa. Talvez por já teres vivenciado cenas semelhantes nos teus dias de juventude. Queria ouvir tua voz, teus causos, olhar em teus olhos e afagar teus poucos cabelos embranquecidos. Acostumado com a pouca demora daqueles que passam por ti. Me olhastes com receio. Creio que já não buscas se apegar aos que partirão em breve. Iniciei um diálogo monossilábico, seguido de riso. - Boa noite. Respondeu-me sem muito crédito e voltou os olhos para a rua em movimento. Por minha conta, busquei a cadeira próxima e sente...

Volátil

M. Crisóstomo Imagem da Internet Poderia ter sido apenas um beijo, um cortejo, um desejo... Um êx-ta-se. Mas, não. Há a fixação, o encanto... O fascínio. Há possibilidades e viabilidades. Existe o Eu e o Tu. Poderia ter sido passageiro... Leviano. Mas, foi intenso e translúcido. Vivo de flash e memória sagazes. My Remember, embora volátil, é solícito. Sacia-me os desejos genuínos e involuntários.

Regresso

M. Crisóstomo Imagem do Twitter A decisão de voltar é sempre um desafio. Voltar para um mundo que, sem razão para se adaptar, permanece igual – ou normal, se preferir. Optei por voltar sozinha. Havia programado-me para esvair em lágrimas no percurso que faria ao regressar-me. O ambiente gélido, aos poucos fez-me recolher junto ao meu corpo a procurar pela ternura que insistia em permanecer dentro do meu ser. Ao olhar pela janela fui atraída pela lua reluzente, embora solitária. Durante o caminho ela surgia e escondia na mesma proporção em que parecia que iríamos nos aproximar. Por vezes tive a sensação de que se estendesse minha mão para além da janela, a tocaria por um instante, sobre a serra. O céu e a constelação a perder no infinito e ela, a lua, a desafiar a grandeza da escuridão num show particular com o seu brilho próprio. Tão desinibida quanto desejada a vi esvaecer, aos poucos. Com as horas, a noite passava e ao alvorecer, seu brilho já não era tão nítido. A per...

Há uma criança em nós

Imagem da Internet Fico fascinada quando vejo pessoas adultas que não expeliram do seu interior a criança que os enalteceram. E vez ou outra, despertam-na do sono involuntário e não sentem vergonha de exaltá-la. Chegam de mansinho, apertam a sua bochecha, o seu nariz. Te afaga os cabelos – melhor, bagunça os teus cabelos. Te joga sobre o sofá, faz cócegas e rola pelo chão contigo. Não hesita em comer um tablete de chocolate enquanto discute a performance dos personagens de Frozen, ou qualquer outra animação. Por vezes, te fala coisas tão bobas, apenas para ver-te suspirar, sorrir ou atirar uma almofada na direção oposta. Acho graça quando esse teu lado divertido aflora de repente e faz-me apaixonar outra vez, outras vezes, tantas vezes, repentinamente. Esses momentos não roubam de ti a seriedade de uma pessoa responsável, ousada, determinada, mas, enchem-me de orgulho por saber que tenho tudo isso em ti, ao meu lado. Por saber que dentro de ti habita uma criança que não...

O amor mais bonito

Imagem da Internet É provável que um dia ela negue que tudo isso aconteceu Negue que foi bom ter acontecido, negue que foi importante. Negue que algo mudou dentro da gente, daqui para o resto dos nossos dias, a perder de vista. Mas estou lembrando de tudo isso agora, e sei que ela também está, aonde estiver. Mas, não importa mais. Algumas pessoas apenas não nascem para ficarem juntas, digo juntas-juntas, embora seus encontros físicos sejam bem românticos e inesquecíveis. Vai ver é isso que querem dizer quando dizem que tudo isso é um jogo. Se você foi derrotado, não faz sentido ficar depois assistindo reprises dos melhores momentos. Só tope se souber perder. E eu perdi. Nós perdemos. Para nós mesmos, ou seja, perdemos para quem a agente é. Texto: Gabito Nunes - Maio/2013

Coluna Angular

M. Crisóstomo Imagem da Internet O mundo parecia que iria desabar.  Cheguei em casa ao fim do dia com a sensação de ter sido a coluna angular de uma estrutura faraônica. Em casa, fui conduzida ao banheiro pela força do cérebro. Liguei o chuveiro e vi-me, aos poucos, esvair sob a água que ao tocar-me o corpo, encharcava minha alma e transbordava para o ralo. Ainda vestida, com suéter, calça, sapatos e óculos senti minhas forças em fuga com o impacto da água. Fechei os olhos e senti o corpo transcender. Algum tempo depois, senti-me envolvida por um calor que, aos poucos, devolveu-me a vida. A água parou de cair e num ímpeto retribui o abraço ainda de olhos cerrados. Percebi ao meu lado que o ser que respirava se permitiu encharcar com a minha umidade. Com delicadeza despiu-me e libertou os meus poros. Tirou-me os sapatos e abraçou o meu corpo nu, aqueceu-me com a tua lucidez. Em seguida, tomou-me em seus braços e conduziu-me a nossa cama. Com os cabelos úmidos e ...

Contraste-me bem leve e leve-me

M. Crisóstomo Ainda sinto sua respiração tão próxima... Nossas têmporas cálidas por meses fragmentados em dias inesquecíveis. Houve dias em que cada suspiro era uma superação vibrante e foram eles que fecharam o ciclo. Nossas aventuras e aprendizados, tão sólidos quando voláteis em um passado breve e, ao mesmo tempo, intenso. Nosso! As partidas e chegadas, entre elas o maravilhar-se com os caminhos e caminhares por vezes só, outras acompanhada e ainda muitas vezes, uma em milhares. Na transição do minuto em que se encerrou o ciclo, abri-me para o novo. Sem expectativas mirabolantes, apenas com o desejo de viver, decididamente viver. Sutilmente vou abraçando novos desafios sem medo de tentar, mas, com translúcida certeza de que, de alguma forma, tudo vale a pena. Tudo começa aqui. O coração apertado reincidente da sensação de um em meio a milhares. Porque são os sonhos que determinam nossa persistência. Hoje acordei mais sonhadora. Preciso refazer os cálculos com frequência pa...

Deixa partir o que não pode ser

M. Crisóstomo Engraçado como o tempo se encarrega de abrir ou fechar abismos. Neste caso, fechar. Somos o que restou de momentos. Vivemos de momentos, por isso devemos ter cuidado para com o que atribuímos demasiados significados em alguns momentos. Há momentos que nos vemos representados em coisas, outros, em pessoas, e noutros ainda, em nosso ego. Acontece que quando nos distanciamos por alguma razão, àquelas coisas, pessoas ou partes de nós outrora tão exaltadas, deixam de nos pertencer. Embora deixemos um cantinho reservado, aquilo que é externo não se encaixa mais, por vários motivos.  Então, temos que tomar a decisão mais difícil: permitir que  já não podemos ser como antes. Talvez com  o tempo aprendamos a interpretar essas situações, mas, aceitar a nova leitura pode doer. Com força escomunal erguemos os olhos preenchidos de lágrimas e, se insistirmos, veremos que há um mundo do outro lado. Mais colorido do quê o que idealizados, por ser real. Ao secar d...

Gratidão

Foto: M. Crisóstomo A gratidão é um sentimento que evidencia a tua disposição em reconhecer a importância dos outros no teu crescimento pessoal e profissional. Ser grato não significa bajulação ou autodiminuição, mas, maturidade. As pessoas que praticam a gratidão não veem os dias como fardo a ser transportado sobre seus ombros, mas, como oportunidade para galgar novos patamares. Sedes grato ao mundo a tua volta. Sedes grato as pessoas que te sorriem e aquelas que te ajudam a tomar a decisão de ser alegre diante do mau humor delas. Sedes grato a natureza que adorna os teus caminhos. Sedes grato as pequenas coisas, as coisas simples e, sobretudo, as mais complexas que te exilam da tua zona de conforto. Tenhas gratidão pelas pessoas que encontras diariamente. Lembra-te, elas também são humanas e estão sujeitas ao erro. Trabalhe com gratidão. O seu trabalho pode não ser o dos teus sonhos, mas, onde estarias neste exato momento, se não tivesses neste trabalho? ...