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Fases

M. Crisóstomo

Eu desconheço a mim mesma toda vez que tento encontrar-me.
Me perco nos meus labirintos de devaneios, anseios, emoções e vazios.
Sou tão cheia de sonhos e ao mesmo tempo há lacunas que não completam.
Desconheço a mim mesma quando reajo com indiferença e quando sou completamente frágil.
Me desmancho em lágrimas e risos com a mesma intensidade.
Sou completa na forma como me apresento. Represento-me por completo.
Por vezes sou forte e ignoro provocações com um olhar cético apenas pelo deleite de Ser.
Por vezes minha fortaleza se transforma em lágrimas, profiro palavras que ao saírem fere a mácula da alegria e destroi as projeções ao meu respeito. Mergulho em minhas angústias e sou toda lágrimas.
Às vezes quero passar despercebida, apenas respirar. Mas sou tomada pela certeza de que quem está ao meu lado merece o meu melhor.
Em alguns momentos quero ficar muda, mas, as palavras têm significados para quem as ouve. Seleciono e adiciono a minha melhor melodia, o riso.
Ora sou amiga, ora, alheia. Por vezes sou mulher, outras, exponho a criança que o tempo insiste em adormecer no meu interior.
Não sou bipolar. Sou como a Lua, de Fases.

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30/06

Não peço à Deus a graça de poder narrar minhas histórias, apenas a dádiva de vivê-las. "É bom olhar pra trás E admirar a vida que soubemos fazer É bom olhar pra frente, é bom, nunca é igual Olhar, beijar e ouvir cantar um novo dia nascendo É bom e é tão diferente [...]" (Dessa vez - Nando Reis) Self: M. Crisóstomo

Dúvidas

M. Crisóstomo Ainda não sei, se te olho disfarçadamente ou se contemplo a sua presença. Se caminho ou se corro em sua direção. Se lhe estendo apenas uma mão ou lhe ofereço meu abraço. Não sei se sorrio ao olhar em teus olhos, ou se mantenho a indiferença. Tenho dúvidas se aceito a despedida ou se lhe peço para ficar. Não sei se pergunto por quanto tempo vais ou se posso seguir contigo... Não sei se lhe envio os versos dedicados ou se apago-os ao terminar de digitá-los... Um dia ao recordar todos os poemas que lhe dediquei, reescreverei-os e a ti me entregarei. Imagem: reprodução da internet

(En)constraste-me

Foto: M. Crisóstomo Trazia nas mãos a mais nobre das oferendas: a gratidão. No olhar, a humildade de quem aprendera que desta vida nada se leva. Tinha a voz calma e uma serenidade contagiante. A sua face revela as marcas inevitáveis do tempo que passa e leva consigo o que a juventude não pode conter. Seu olhar é compreensivo e de alguma forma, não me sinto inédita em tua presença. Sua experiência já sabe o que eu sentia e o quanto era efêmero. Toda força física agora convertida em palavras sábias. Com o timbre enfraquecido, ouvi-la exigia o silêncio interno. Ela mudou tanto que cabia perfeitamente no meu abraço. Sem pressa ou qualquer resistência, nunca hesitou adormecer ao som do meu coração. Não sabia quanto tempo lhe restava, mas, sentia que o meu estava esgotando. Texto: M. Crisóstomo