M. Crisóstomo
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A decisão de voltar é sempre um desafio. Voltar para um
mundo que, sem razão para se adaptar, permanece igual – ou normal, se preferir.
Optei por voltar sozinha. Havia programado-me para esvair em
lágrimas no percurso que faria ao regressar-me. O ambiente gélido, aos poucos
fez-me recolher junto ao meu corpo a procurar pela ternura que insistia em
permanecer dentro do meu ser.
Ao olhar pela janela fui atraída pela lua reluzente, embora
solitária. Durante o caminho ela surgia e escondia na mesma proporção em que
parecia que iríamos nos aproximar. Por vezes tive a sensação de que se
estendesse minha mão para além da janela, a tocaria por um instante, sobre a
serra.
O céu e a constelação a perder no infinito e ela, a lua, a
desafiar a grandeza da escuridão num show particular com o seu brilho próprio. Tão
desinibida quanto desejada a vi esvaecer, aos poucos. Com as horas, a noite
passava e ao alvorecer, seu brilho já não era tão nítido. A persegui com meu
olhar vislumbrado até a luz do astro sol ofuscá-la por completo.
Ao virar para a esquerda e não pude conter-me quando vi o
sol regalar o dia insurgindo por trás da serra, bem diante do meu encantamento
para com a aurora tão radiante.
Coloquei o óculos escuro, recolhi-me junto a minha humanidade
e o contemplei com o mesmo encantamento que testemunhei o show lunar pela
janela oposta.
Quando ao intrínseco desejo de chorar, esqueci. A noite
estava linda demais para perder cada instante daquele espetáculo. Outro dia
programarei um momento para lágrimas na expectativa de ser subitamente
interrompida.

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