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M. Crisóstomo
Do lado oposto, a minha visão periférica captava a tua expressão estatizada a observar os meus movimentos.
Inquieto e tenso, repetidas vezes fui do armário para a mala com as mãos ocupadas.
Tentei, da melhor maneira, ajeitar cada peça no espaço que fora preenchido com rapidez.
Na penteadeira, separei os meus pertences e os juntei a bagagem sobre a cama.
Com um nó na garganta, não pude falar. Podia ouvir a tua respiração que, com os meus movimentos, interrompia o silêncio angustiante.
Por vezes quis sair correndo, sem levar qualquer objeto, pelo fato de não ter que tocá-los e despertar lembranças que já não podem ser revividas.
Apesar da pressa, demorei mais do que o necessário.
A tua presença deixara-me naturalmente sem ação.
Queria poder lhe dizer tantas coisas. Faltaram-me as palavras quando ao erguer os olhos encontrei os teus a sustentar-se em minha pessoa.
Mirei-o por um instante e recolhi-me em minha inconstância.
Sentei na cama, abri a última gaveta do armário e lá estava cada minuto nosso.
Respirei fundo. As lágrimas foram insustentáveis. Fechei a gaveta, a mala. Peguei o coube em meus braços e seguir para a porta.
No percurso, apenas a certeza de que, sem amor ou glória, não voltarás.

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