Em dias
que encabeçam o novo ano, novamente a cidade parece despertar. Não que ela
estivesse dormindo, ou, dormido. Mas, porque aqueles e aquelas que a fazem
mover estiveram noutro lugar.
Eles regressam
para outra vez partir.
Recomeçam
suas vidas corridas de estudos e trabalhos, planos e insônias. Vivem como se
não fossem daqui.
Palmas,
uma cidade de tod@s, se alegra ao longo ano para sobreviver a solidão do Natal
e Réveillon.
Ainda estava
lúcida quando percebi que nos dias que se encaminhavam para o fim do ano, faltavam
as buzinas dos motoristas nervosos nas manhãs desta cidade, por ora solitária. Pessoas
estressadas com suas rotinas medonhas, porém necessárias para se conquistar uma
semana de liberdade.
Onde
estão aqueles que falam ao telefone sobre tantas coisas no ônibus lotado?
Onde
estão os condutores apressados e que são os últimos a passarem pelo sinal
amarelo?
Não existem
filas nos bancos. Nem clientes nervosos porque sempre têm razão.
Os restaurantes
fecham as portas, pois, já não têm para quem servir.
E aqueles
que ousam permanecer, ficam reféns do próprio vazio e das lacunas urbana. Também
ficam sós.
Porque no final do ano, as pessoas partem em
busca das suas metades...
Percebo
que, como são de vários lugares, não se sentem daqui...
Por
isso, há necessidade de partir todos os anos.
Para ser
e estar em família, com amigos e consigo mesmo.
São de tantos
lugares. E se foram. E se vão.
Parecem
normal, idas e vindas anualmente como um regalar frenético de uma busca
insaciável. O desejo de estar em Família e a impossibilidade de permanecer com
ela.
Como
dizem, recarregam as baterias e regressam ao seio da cidade que não é delas e
que sempre fica solitária quando todos se vão para longe, ou simplesmente, para
qualquer lugar que esteja além do sol escaldante, das ruas alagadas e do
cerrado tão genuíno.
O fato é
que os que foram regressam, para outra vez partir.
Feliz Palmas!
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| Imagem da Internet |
Maryellen
Crisóstomo

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