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Lucidez em devaneio

       Sempre paramos para refletir sobre a estranheza de pertencer ao mundo caótico, falamos dos conflitos vivenciados pelo ser humano em suas formas de viver com o mundo e consigo mesmo. Hoje não poderia deixar de publicar esse diálogo.

     Ela: ultimamente eu ando um pouco descrente das pessoas... Fico pensando como são falsas... E ando meio triste com isso. Você lida bem com a falsidade?

            Eu: eu sou muito desconfiada, tento ser cordial com todos.

     Ela: hummm eu não sou... Talvez por isso eu me decepcione...  Não que as pessoas tenham que ser 100% sinceras 24h... Porque isso não existe... Mas quando vejo falsidade ou maldade eu fico mal.

       Eu: entendo. Mas, é algo que está no dia-a-dia e acontece com frequência. Porque as pessoas precisam representar algo o tempo inteiro. Creio que essa ideia é baseada em "não leve trabalho pra casa, e não leve a casa para o trabalho"  acho que são coisas inseparáveis, por se tratar da mesma pessoa em todas as situações e muita gente acha que precisa fingir algo para estar em certos lugares  aí as relações ficam supérfluas, somos o que representamos para alguém.  Somos bons se representamos oportunidades. Somos maus se representamos empecilhos.

   Ela: eu não entendo como as pessoas conseguem ficar representando toda hora eu não entendo por que elas pensam assim é pensar que elas mesmas não são boas perante a sociedade  que não serem aceita ou algo assim fingi uma história que não existe eu não entendo como podem fazer isso consigo e com os outros.

    Eu: mas, as pessoas são 'treinadas' para isso:
Como se comportar no ambiente de trabalho....
Como se comportar na igreja....
Como se comportar enquanto casado (a)....
Como se comportar enquanto solteiro (a)....
Como se promover na vida pessoal/profissional
Como se comportar blábláblá....
Já que a mesma pessoa pode estar em todos esses lugares, está no imaginário dela e no imaginário social a maneira como ela deve representar para ser bem vista/ bem quista.

       Ela: eu acho que sou muito estranha!

     Eu: eu também sou estranha. E, nós, que somos os outros é que temos que ter um olhar desconfiado e ver além das representações para escolher aqueles com quem queremos compartilhar coisas nossas, tipo, expectativas, sonhos, amizade... Muitas pessoas tem interesse em saber da nossa vida para nos sufocar com ela, porque se ficamos decepcionados deixamos de viver por um tempo, é como se pegasse o nosso travesseiro e nos asfixiasse com ele para em seguida repousar a nossa cabeça e chorar sobre a nossa desgraça. Minha mãe diz: "devemos estar perto o suficiente para sermos lembrados, mas, não tão próximos ao ponto de sermos pisados e nos tornar degraus para os outros".


      Ela: ainda bem que tem algumas pessoas estranhas por este mundo.



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30/06

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Dúvidas

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