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Deixa partir o que não pode ser

M. Crisóstomo

Engraçado como o tempo se encarrega de abrir ou fechar abismos.
Neste caso, fechar.
Somos o que restou de momentos. Vivemos de momentos, por isso devemos ter cuidado para com o que atribuímos demasiados significados em alguns momentos.
Há momentos que nos vemos representados em coisas, outros, em pessoas, e noutros ainda, em nosso ego.
Acontece que quando nos distanciamos por alguma razão, àquelas coisas, pessoas ou partes de nós outrora tão exaltadas, deixam de nos pertencer. Embora deixemos um cantinho reservado, aquilo que é externo não se encaixa mais, por vários motivos.
 Então, temos que tomar a decisão mais difícil: permitir que  já não podemos ser como antes.
Talvez com  o tempo aprendamos a interpretar essas situações, mas, aceitar a nova leitura pode doer.
Com força escomunal erguemos os olhos preenchidos de lágrimas e, se insistirmos, veremos que há um mundo do outro lado. Mais colorido do quê o que idealizados, por ser real.
Ao secar das lágrimas aquilo que elegemos como singular se torna tão plural e o som da voz que estremecia nosso interior se torna apenas mais um ruido. Os olhos que nos seguiam como luz particular, passa a ser indistinguível. Os abraços de conforto, apenas mais um toque e os beijos de ternura, algo que aconteceu.
Aos poucos retomamos nossa vida. Refazemos nossos sonhos e motivos.
Importante mesmo é nunca perder a capacidade de reinvenção.
Independente do que acontecer saiba que existem duas opções: Ficar e Partir.
Imagem da Internet

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30/06

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