M. Crisóstomo
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O mundo parecia que iria desabar.
Cheguei em casa ao fim do dia
com a sensação de ter sido a coluna angular de uma estrutura faraônica.
Em casa, fui conduzida ao banheiro pela força do cérebro.
Liguei o chuveiro e vi-me, aos poucos, esvair sob a água que ao tocar-me o
corpo, encharcava minha alma e transbordava para o ralo.
Ainda vestida, com suéter, calça, sapatos e óculos senti
minhas forças em fuga com o impacto da água. Fechei os olhos e senti o corpo
transcender.
Algum tempo depois, senti-me envolvida por um calor que, aos
poucos, devolveu-me a vida. A água parou de cair e num ímpeto retribui o abraço
ainda de olhos cerrados.
Percebi ao meu lado que o ser que respirava se permitiu
encharcar com a minha umidade. Com delicadeza despiu-me e libertou os meus
poros. Tirou-me os sapatos e abraçou o meu corpo nu, aqueceu-me com a tua
lucidez.
Em seguida, tomou-me em seus braços e conduziu-me a nossa
cama. Com os cabelos úmidos e os olhos ainda cerrados, senti o cobertor ser
ajeitado sobre o meu corpo.
Adormeci.
Não sei por quanto tempo fiquei embaixo do chuveiro, nem o
quanto dormi.
Acordei na manhã seguinte em seus braços e protegida do
mundo, do medo, da dor, da desilusão e do desespero de viver.
Virei-me devagar e encontrei em se rosto a moldura do
sorriso belo, o qual tenho a honra de testemunhar todas as manhãs.

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