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Ela tinha os olhos encantadores e trazia em si o sorriso
mais cativador que já vi.
Por traz do tom da sua voz tinha algo que eu não bem o quê,
mas, tinha a ligeira impressão de que se a ouvisse por alguns instantes a mais,
descobriria... se foram 15 anos.
Nunca a questionei o que seria, mas, de alguma forma ela
sabia que eu gostava de ouvi-la.
Após cada frase o riso era certo, mesmo que uma lágrima
viesse em seguida. Era esse riso que por vezes representava um ponto final e,
noutras, um ponto sequente, que me fazia destinar-lhe toda a minha atenção. Eu conheci
nela, a maior variação de sorrisos que um ser pode dispor.
Me apaixonei todos os dias. Ela não era uma pessoa comum. Tive
a sorte de descobrir e valorizar isto muito antes que outros.
Agradecia a Deus por acordar ao lado dela e ouvir a sua voz
rouca a me dizer: “Bom dia Amor! Que tenhamos e sejamos Paz!”. Mas, independente
de ela me dizer isso, o meu dia seria feliz porque ela estava ali.
Deixá-la no trabalho era o que eu achava mais difícil, mas,
buscá-la ao fim do dia, não tinha preço. Ela dizia: “Se cuida”, em seguida
piscava o olho direito e descia do carro. Eu me cuidava, só para reencontrá-la.
Ela partiu tão de repente. Não consigo aceitar que alguém
tão bom pode sair de cena repentinamente. Sempre fiz questão que ela soubesse o
quanto eu a amava. Isso me tranquiliza e ao mesmo tempo me causa revolta. Eu
queria que durasse mais. Que ela estivesse aqui. Que permanecêssemos juntos.
Eu não durmo porque percebi que ao acordar ela não estará ao
lado. Não consigo fazer a rota para o meu trabalho, porque desconheço outra
rota que não seja a do trabalho dela. Não encontro motivos para me cuidar.
Não encontro pessoas que me sorriem como ela sorria. Que me
escondem um mistério na voz. Meus olhos cegaram.
Ela era enigmática e isso me fazia bem. Talvez fosse esse o
enigma que ela trazia em sua voz e eu não descobri antes.
Quem me dera sermos eternos.

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