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Volta quando sentires saudades

M. Crisóstomo
Imagem da Internet

Não importa para onde tu vais ou por quanto tempo demores. Importa que o teu regresso seja impulsionado pela saudade.
Saudade do riso fácil, ora discreto, ora sem reservas.
Saudade do beijo esperado ou roubado, mas, todos com cumplicidade.
Saudade do banho demorado, de dividir o chuveiro, o espelho e do abraço sob a água que cai.
Saudade de compartilhar a cama, o travesseiro e  o cobertor.
Saudade de ouvir a respiração ofegante e o coração acelerado, de sentir o abraço que acolhe, protege e dignifica cada instante.
Volta para tomarmos café,
para pedirmos pizza no meio da noite,
para conversamos sobre o lançamento da sequência do livro, do filme, do novo CD daquela banda que tanto gostamos.
Volta pra eu te contar como foi o meu dia e para me contar como foi o teu dia.
Volta pra eu te olhar nos olhos e abraçar-te em seguida.
Volta quando sentires saudades para que cada momento seja igualmente único.

Volta, se lhe for permitido.

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30/06

Não peço à Deus a graça de poder narrar minhas histórias, apenas a dádiva de vivê-las. "É bom olhar pra trás E admirar a vida que soubemos fazer É bom olhar pra frente, é bom, nunca é igual Olhar, beijar e ouvir cantar um novo dia nascendo É bom e é tão diferente [...]" (Dessa vez - Nando Reis) Self: M. Crisóstomo

Dúvidas

M. Crisóstomo Ainda não sei, se te olho disfarçadamente ou se contemplo a sua presença. Se caminho ou se corro em sua direção. Se lhe estendo apenas uma mão ou lhe ofereço meu abraço. Não sei se sorrio ao olhar em teus olhos, ou se mantenho a indiferença. Tenho dúvidas se aceito a despedida ou se lhe peço para ficar. Não sei se pergunto por quanto tempo vais ou se posso seguir contigo... Não sei se lhe envio os versos dedicados ou se apago-os ao terminar de digitá-los... Um dia ao recordar todos os poemas que lhe dediquei, reescreverei-os e a ti me entregarei. Imagem: reprodução da internet

(En)constraste-me

Foto: M. Crisóstomo Trazia nas mãos a mais nobre das oferendas: a gratidão. No olhar, a humildade de quem aprendera que desta vida nada se leva. Tinha a voz calma e uma serenidade contagiante. A sua face revela as marcas inevitáveis do tempo que passa e leva consigo o que a juventude não pode conter. Seu olhar é compreensivo e de alguma forma, não me sinto inédita em tua presença. Sua experiência já sabe o que eu sentia e o quanto era efêmero. Toda força física agora convertida em palavras sábias. Com o timbre enfraquecido, ouvi-la exigia o silêncio interno. Ela mudou tanto que cabia perfeitamente no meu abraço. Sem pressa ou qualquer resistência, nunca hesitou adormecer ao som do meu coração. Não sabia quanto tempo lhe restava, mas, sentia que o meu estava esgotando. Texto: M. Crisóstomo