Maryellen Crisóstomo
A música que dançamos pela primeira vez é a lembrança mais
viva que tenho de nós. Porque foi a partir dela que aprendi a confiar e admirar
suas ações e quietudes.
De maneira insana o permiti que me conduzisse. Recordo-me
que ao fechar os olhos apenas dois sons me encontravam: o seu coração acelerado
e a música instrumental que ecoava no ermo do salão.
Ancorada em teus braços convenci-me que sabia que cada movimento
já estava projetado em sua mente.
Sua respiração, ofegante no início, encontrou
o ritmo da minha entrega.
Sua mão aquecia a minha e ao mesmo tempo dava-me a certeza do
quanto estávamos próximos.
A música durou uma eternidade e ainda sinto o nosso
frenesi.
Seu perfume inebriante era o único aroma permitido naquele
ambiente à meia luz, numa noite de sábado.
O beijo surpresa, porém esperado, foi o meu bilhete de
regresso. Pude ver a sua alma pelos olhos que me sorriam por gratidão e
cumplicidade.
Apaixonei-me outra vez!
Momentos como esse se repetem, mas, aquela noite foi a
primeira das nossas descobertas.
Ainda nos surpreendemos e nos apaixonamos
diariamente quando flagramos nossos risos, gestos, palavras, abraços e até em
silêncio.
Se pudesse colocar a emoção daquele momento em um retrato, a
música seria a moldura.
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