Pular para o conteúdo principal

Recomeços



Maryellen Crisóstomo

Embora os desejos nos fizessem agir sem muitas reflexões, por vezes nos apaixonamos de forma tão intensa ao ponto dos reencontros serem inevitáveis.

Podemos recomeçar juntos, ou separados.

Porque aprendemos que tudo o que vivenciamos contribuiu para como nosso amadurecimento emocional.

A essa altura não podemos resumir o nosso tempo juntos, a mera perda de tempo.

A atração que nos uniu aos poucos se transformou em desafio. Amávamos os desafios. Eram eles que nos impelia para novos encontros e, consequentemente, despedidas.

Trocávamos palavras carinhosas e por mais que nos feríssemos posteriormente, elas eram verdadeiras porque nunca escondemos o que sentíamos.

Fomos amantes e condescendentes em todos os atos e ainda assim, podemos reaprender a amar. Ou quem sabe, compreender que já nos proporcionamos tudo o que tínhamos em nós.

O fato de termos sido audazes não nos dá o direito de seguirmos tão juntos, ou, separados.

Chegamos à vida um do outro quando já existia outrem e tudo não passou de aventura. Nossa culpa tem a mesma medida. Nosso medo tem a mesma raiz, mas, nossa ousadia é divergente. Sem reservas, nos entregamos sem nos pertencer.

Não me desespere, a nossa despedida pode começar com um olhar mudo.
 Creio, por tudo o que vivemos, compreenderemos cada gesto sem a interferência aguda das palavras.

Foto: M. Crisóstomo

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

30/06

Não peço à Deus a graça de poder narrar minhas histórias, apenas a dádiva de vivê-las. "É bom olhar pra trás E admirar a vida que soubemos fazer É bom olhar pra frente, é bom, nunca é igual Olhar, beijar e ouvir cantar um novo dia nascendo É bom e é tão diferente [...]" (Dessa vez - Nando Reis) Self: M. Crisóstomo

Dúvidas

M. Crisóstomo Ainda não sei, se te olho disfarçadamente ou se contemplo a sua presença. Se caminho ou se corro em sua direção. Se lhe estendo apenas uma mão ou lhe ofereço meu abraço. Não sei se sorrio ao olhar em teus olhos, ou se mantenho a indiferença. Tenho dúvidas se aceito a despedida ou se lhe peço para ficar. Não sei se pergunto por quanto tempo vais ou se posso seguir contigo... Não sei se lhe envio os versos dedicados ou se apago-os ao terminar de digitá-los... Um dia ao recordar todos os poemas que lhe dediquei, reescreverei-os e a ti me entregarei. Imagem: reprodução da internet

(En)constraste-me

Foto: M. Crisóstomo Trazia nas mãos a mais nobre das oferendas: a gratidão. No olhar, a humildade de quem aprendera que desta vida nada se leva. Tinha a voz calma e uma serenidade contagiante. A sua face revela as marcas inevitáveis do tempo que passa e leva consigo o que a juventude não pode conter. Seu olhar é compreensivo e de alguma forma, não me sinto inédita em tua presença. Sua experiência já sabe o que eu sentia e o quanto era efêmero. Toda força física agora convertida em palavras sábias. Com o timbre enfraquecido, ouvi-la exigia o silêncio interno. Ela mudou tanto que cabia perfeitamente no meu abraço. Sem pressa ou qualquer resistência, nunca hesitou adormecer ao som do meu coração. Não sabia quanto tempo lhe restava, mas, sentia que o meu estava esgotando. Texto: M. Crisóstomo