Maryellen Crisóstomo
Embora os desejos nos fizessem agir sem muitas reflexões,
por vezes nos apaixonamos de forma tão intensa ao ponto dos reencontros serem
inevitáveis.
Podemos recomeçar juntos, ou separados.
Porque aprendemos que tudo o que vivenciamos contribuiu para
como nosso amadurecimento emocional.
A essa altura não podemos resumir o nosso tempo juntos, a
mera perda de tempo.
A atração que nos uniu aos poucos se transformou em desafio.
Amávamos os desafios. Eram eles que nos impelia para novos encontros e,
consequentemente, despedidas.
Trocávamos palavras carinhosas e por mais que nos feríssemos
posteriormente, elas eram verdadeiras porque nunca escondemos o que sentíamos.
Fomos amantes e condescendentes em todos os atos e ainda
assim, podemos reaprender a amar. Ou quem sabe, compreender que já nos
proporcionamos tudo o que tínhamos em nós.
O fato de termos sido audazes não nos dá o direito de seguirmos
tão juntos, ou, separados.
Chegamos à vida um do outro quando já existia outrem e tudo
não passou de aventura. Nossa culpa tem a mesma medida. Nosso medo tem a mesma
raiz, mas, nossa ousadia é divergente. Sem reservas, nos entregamos sem nos
pertencer.
Não me desespere, a nossa despedida pode começar com um
olhar mudo.
Creio, por tudo o que vivemos, compreenderemos cada gesto sem a interferência
aguda das palavras.
| Foto: M. Crisóstomo |
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