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Um simples olhar



Maryellen Crisóstomo

Encontro-te e o perco na imensidão das nossas euforias. Como dois seres que se buscam, nós nos complementamos.

Quando meus olhos procuram os teus, perco-me na profundidade do seu olhar sempre que me encontras em fuga. Mesmo que ao te olhar eu sinta tantas coisas, eu tento fugir do que sinto e do que me fazes sentir, mas tua presença tem muita influência sobre minhas emoções.

Tua voz dá às palavras a melodia harmônica que as tornam inesquecíveis em minha memória.

Teu sorriso enigmático destrói minha sutileza, faz-me confusa. Mas, o seu abraço... Torna-me inconsequente e cada toque é como se me conhecesses mais que eu mesma. Parece prever cada reação minha.

Cada beijo, uma entrega que transfigura e faz-nos outros e os encontros parecem eternos porque as lembranças duram bem mais. Ainda o sinto aqui.

Foto: M. Crisóstomo

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30/06

Não peço à Deus a graça de poder narrar minhas histórias, apenas a dádiva de vivê-las. "É bom olhar pra trás E admirar a vida que soubemos fazer É bom olhar pra frente, é bom, nunca é igual Olhar, beijar e ouvir cantar um novo dia nascendo É bom e é tão diferente [...]" (Dessa vez - Nando Reis) Self: M. Crisóstomo

Dúvidas

M. Crisóstomo Ainda não sei, se te olho disfarçadamente ou se contemplo a sua presença. Se caminho ou se corro em sua direção. Se lhe estendo apenas uma mão ou lhe ofereço meu abraço. Não sei se sorrio ao olhar em teus olhos, ou se mantenho a indiferença. Tenho dúvidas se aceito a despedida ou se lhe peço para ficar. Não sei se pergunto por quanto tempo vais ou se posso seguir contigo... Não sei se lhe envio os versos dedicados ou se apago-os ao terminar de digitá-los... Um dia ao recordar todos os poemas que lhe dediquei, reescreverei-os e a ti me entregarei. Imagem: reprodução da internet

(En)constraste-me

Foto: M. Crisóstomo Trazia nas mãos a mais nobre das oferendas: a gratidão. No olhar, a humildade de quem aprendera que desta vida nada se leva. Tinha a voz calma e uma serenidade contagiante. A sua face revela as marcas inevitáveis do tempo que passa e leva consigo o que a juventude não pode conter. Seu olhar é compreensivo e de alguma forma, não me sinto inédita em tua presença. Sua experiência já sabe o que eu sentia e o quanto era efêmero. Toda força física agora convertida em palavras sábias. Com o timbre enfraquecido, ouvi-la exigia o silêncio interno. Ela mudou tanto que cabia perfeitamente no meu abraço. Sem pressa ou qualquer resistência, nunca hesitou adormecer ao som do meu coração. Não sabia quanto tempo lhe restava, mas, sentia que o meu estava esgotando. Texto: M. Crisóstomo