Pular para o conteúdo principal

Postagens

Volátil

M. Crisóstomo Imagem da Internet Poderia ter sido apenas um beijo, um cortejo, um desejo... Um êx-ta-se. Mas, não. Há a fixação, o encanto... O fascínio. Há possibilidades e viabilidades. Existe o Eu e o Tu. Poderia ter sido passageiro... Leviano. Mas, foi intenso e translúcido. Vivo de flash e memória sagazes. My Remember, embora volátil, é solícito. Sacia-me os desejos genuínos e involuntários.

Regresso

M. Crisóstomo Imagem do Twitter A decisão de voltar é sempre um desafio. Voltar para um mundo que, sem razão para se adaptar, permanece igual – ou normal, se preferir. Optei por voltar sozinha. Havia programado-me para esvair em lágrimas no percurso que faria ao regressar-me. O ambiente gélido, aos poucos fez-me recolher junto ao meu corpo a procurar pela ternura que insistia em permanecer dentro do meu ser. Ao olhar pela janela fui atraída pela lua reluzente, embora solitária. Durante o caminho ela surgia e escondia na mesma proporção em que parecia que iríamos nos aproximar. Por vezes tive a sensação de que se estendesse minha mão para além da janela, a tocaria por um instante, sobre a serra. O céu e a constelação a perder no infinito e ela, a lua, a desafiar a grandeza da escuridão num show particular com o seu brilho próprio. Tão desinibida quanto desejada a vi esvaecer, aos poucos. Com as horas, a noite passava e ao alvorecer, seu brilho já não era tão nítido. A per...

Há uma criança em nós

Imagem da Internet Fico fascinada quando vejo pessoas adultas que não expeliram do seu interior a criança que os enalteceram. E vez ou outra, despertam-na do sono involuntário e não sentem vergonha de exaltá-la. Chegam de mansinho, apertam a sua bochecha, o seu nariz. Te afaga os cabelos – melhor, bagunça os teus cabelos. Te joga sobre o sofá, faz cócegas e rola pelo chão contigo. Não hesita em comer um tablete de chocolate enquanto discute a performance dos personagens de Frozen, ou qualquer outra animação. Por vezes, te fala coisas tão bobas, apenas para ver-te suspirar, sorrir ou atirar uma almofada na direção oposta. Acho graça quando esse teu lado divertido aflora de repente e faz-me apaixonar outra vez, outras vezes, tantas vezes, repentinamente. Esses momentos não roubam de ti a seriedade de uma pessoa responsável, ousada, determinada, mas, enchem-me de orgulho por saber que tenho tudo isso em ti, ao meu lado. Por saber que dentro de ti habita uma criança que não...

O amor mais bonito

Imagem da Internet É provável que um dia ela negue que tudo isso aconteceu Negue que foi bom ter acontecido, negue que foi importante. Negue que algo mudou dentro da gente, daqui para o resto dos nossos dias, a perder de vista. Mas estou lembrando de tudo isso agora, e sei que ela também está, aonde estiver. Mas, não importa mais. Algumas pessoas apenas não nascem para ficarem juntas, digo juntas-juntas, embora seus encontros físicos sejam bem românticos e inesquecíveis. Vai ver é isso que querem dizer quando dizem que tudo isso é um jogo. Se você foi derrotado, não faz sentido ficar depois assistindo reprises dos melhores momentos. Só tope se souber perder. E eu perdi. Nós perdemos. Para nós mesmos, ou seja, perdemos para quem a agente é. Texto: Gabito Nunes - Maio/2013

Coluna Angular

M. Crisóstomo Imagem da Internet O mundo parecia que iria desabar.  Cheguei em casa ao fim do dia com a sensação de ter sido a coluna angular de uma estrutura faraônica. Em casa, fui conduzida ao banheiro pela força do cérebro. Liguei o chuveiro e vi-me, aos poucos, esvair sob a água que ao tocar-me o corpo, encharcava minha alma e transbordava para o ralo. Ainda vestida, com suéter, calça, sapatos e óculos senti minhas forças em fuga com o impacto da água. Fechei os olhos e senti o corpo transcender. Algum tempo depois, senti-me envolvida por um calor que, aos poucos, devolveu-me a vida. A água parou de cair e num ímpeto retribui o abraço ainda de olhos cerrados. Percebi ao meu lado que o ser que respirava se permitiu encharcar com a minha umidade. Com delicadeza despiu-me e libertou os meus poros. Tirou-me os sapatos e abraçou o meu corpo nu, aqueceu-me com a tua lucidez. Em seguida, tomou-me em seus braços e conduziu-me a nossa cama. Com os cabelos úmidos e ...

Contraste-me bem leve e leve-me

M. Crisóstomo Ainda sinto sua respiração tão próxima... Nossas têmporas cálidas por meses fragmentados em dias inesquecíveis. Houve dias em que cada suspiro era uma superação vibrante e foram eles que fecharam o ciclo. Nossas aventuras e aprendizados, tão sólidos quando voláteis em um passado breve e, ao mesmo tempo, intenso. Nosso! As partidas e chegadas, entre elas o maravilhar-se com os caminhos e caminhares por vezes só, outras acompanhada e ainda muitas vezes, uma em milhares. Na transição do minuto em que se encerrou o ciclo, abri-me para o novo. Sem expectativas mirabolantes, apenas com o desejo de viver, decididamente viver. Sutilmente vou abraçando novos desafios sem medo de tentar, mas, com translúcida certeza de que, de alguma forma, tudo vale a pena. Tudo começa aqui. O coração apertado reincidente da sensação de um em meio a milhares. Porque são os sonhos que determinam nossa persistência. Hoje acordei mais sonhadora. Preciso refazer os cálculos com frequência pa...

Deixa partir o que não pode ser

M. Crisóstomo Engraçado como o tempo se encarrega de abrir ou fechar abismos. Neste caso, fechar. Somos o que restou de momentos. Vivemos de momentos, por isso devemos ter cuidado para com o que atribuímos demasiados significados em alguns momentos. Há momentos que nos vemos representados em coisas, outros, em pessoas, e noutros ainda, em nosso ego. Acontece que quando nos distanciamos por alguma razão, àquelas coisas, pessoas ou partes de nós outrora tão exaltadas, deixam de nos pertencer. Embora deixemos um cantinho reservado, aquilo que é externo não se encaixa mais, por vários motivos.  Então, temos que tomar a decisão mais difícil: permitir que  já não podemos ser como antes. Talvez com  o tempo aprendamos a interpretar essas situações, mas, aceitar a nova leitura pode doer. Com força escomunal erguemos os olhos preenchidos de lágrimas e, se insistirmos, veremos que há um mundo do outro lado. Mais colorido do quê o que idealizados, por ser real. Ao secar d...