Pular para o conteúdo principal

Bendito seja o último!

No frenesi dos seus abraços me perco na emoção dos seus pensamentos
Que me conhecem, surpreendem-me e encontram-me.
Tu e tuas manias bobas de sumir e aparecer  tão de repente quanto a velocidade da luz.
Teu sorriso encantador que modula o timbre da sua voz calma
Que desaparece na penumbra da noite quando novamente tu partes.
Pela primeira vez vejo em tuas despedidas os moldes de um adeus.
Abro os olhos e me perco na sua ausência definitiva e afaga-me os estalares das suas escolhas.
Em cada olhar que guardo ofuscam-me as lembranças, boas lembranças.
Se tem que ser assim, que seja.
E sejamos felizes.
Livres como sempre, longe.
Bendito seja o dia em que nos conhecemos.
Bendita seja a hora em que nos amamos.
Bendito seja o momento em que nos despedimos.
E partimos e nos olhamos e nos abraçamos, pela última vez.
Somos Felizes porque nos conhecemos.
Que esse adeus não seja para sempre
E que a última vez seja um eterno reencontro.


Maryellen Crisóstomo

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

30/06

Não peço à Deus a graça de poder narrar minhas histórias, apenas a dádiva de vivê-las. "É bom olhar pra trás E admirar a vida que soubemos fazer É bom olhar pra frente, é bom, nunca é igual Olhar, beijar e ouvir cantar um novo dia nascendo É bom e é tão diferente [...]" (Dessa vez - Nando Reis) Self: M. Crisóstomo

Dúvidas

M. Crisóstomo Ainda não sei, se te olho disfarçadamente ou se contemplo a sua presença. Se caminho ou se corro em sua direção. Se lhe estendo apenas uma mão ou lhe ofereço meu abraço. Não sei se sorrio ao olhar em teus olhos, ou se mantenho a indiferença. Tenho dúvidas se aceito a despedida ou se lhe peço para ficar. Não sei se pergunto por quanto tempo vais ou se posso seguir contigo... Não sei se lhe envio os versos dedicados ou se apago-os ao terminar de digitá-los... Um dia ao recordar todos os poemas que lhe dediquei, reescreverei-os e a ti me entregarei. Imagem: reprodução da internet

(En)constraste-me

Foto: M. Crisóstomo Trazia nas mãos a mais nobre das oferendas: a gratidão. No olhar, a humildade de quem aprendera que desta vida nada se leva. Tinha a voz calma e uma serenidade contagiante. A sua face revela as marcas inevitáveis do tempo que passa e leva consigo o que a juventude não pode conter. Seu olhar é compreensivo e de alguma forma, não me sinto inédita em tua presença. Sua experiência já sabe o que eu sentia e o quanto era efêmero. Toda força física agora convertida em palavras sábias. Com o timbre enfraquecido, ouvi-la exigia o silêncio interno. Ela mudou tanto que cabia perfeitamente no meu abraço. Sem pressa ou qualquer resistência, nunca hesitou adormecer ao som do meu coração. Não sabia quanto tempo lhe restava, mas, sentia que o meu estava esgotando. Texto: M. Crisóstomo