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Diga apenas que...

Quando falares da minha pessoa...
Diga fui muito apaixonada pela vida!
Fala que lutei por tudo o que acreditei.
Que dei saltos sem saber se eu tinha chão, e não morri.
Diz que já chorei escondido, mas, não pude esconder as olheiras...
Diz que eu já acreditei que alguns momentos fossem para sempre e frustrei-me.
Fala que jurei que nunca amaria, que nunca teria um namorado, mas que, brincando apaixonei-me.
Fala que briguei quando não tinha razão e pedi desculpas sorrindo descontroladamente.
Eu viajei para ganhar um abraço e já dormi querendo muito ouvir uma voz, mas, não tive coragem de ligar...
Fala que já apaguei um mensagem depois que a digitei porque não tive coragem de enviar.
Se perguntares se eu me arrependi...
Diga que SIM.
Arrependi-me de não ter pedido um abraço, de não ter roubado um beijo e ter fingido que não entendi.
Fala que eu tive sonhos, muitos sonhos e que fiz tudo, ou muito, para realizá-los.
E realizei alguns, outros não pude e ainda, muitos eu não tive tempo...
Eu já quis fugir do mundo, fugir de todos...
Já inventei que estava doente, só para ficar sozinha.
Mas, se perguntarem se eu já tive medo, diz que eu tive muito medo de não ser capaz...
Tive medo de desistir.
E o maior de todos, tive medo de encontrar o que procuro, porque eu sentia que a vida perderia o sentido.
Por isso eu sempre inventava caminhos diferentes, conhecia pessoas diferentes e mesmo com pressa eu andava devagar.
Porém, se quiserem saber que fui eu...
Diga que, eu não sei quem sou, apesar de gostar de muitas coisas...
Essas coisas não definem a minha pessoa.
Estou sempre mudando para me encontrar, vivi adaptando-me,  inovando-me.
Vivi de aventuras e desventuras, como poderia associar-me alguma delas se a melhor de todas foi superada?
Não insistas em querer saber a minha identidade...
Veja as coisas e lugares mais alegres e ali estarei.
Perceba as coisas e momentos tristes, esses também sou eu.
Podes descrever-me?
A minha viagem termina aqui... Como foi e como será?
Ah, isso eu já não posso dizer.

Maryellen Crisóstomo

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30/06

Não peço à Deus a graça de poder narrar minhas histórias, apenas a dádiva de vivê-las. "É bom olhar pra trás E admirar a vida que soubemos fazer É bom olhar pra frente, é bom, nunca é igual Olhar, beijar e ouvir cantar um novo dia nascendo É bom e é tão diferente [...]" (Dessa vez - Nando Reis) Self: M. Crisóstomo

Dúvidas

M. Crisóstomo Ainda não sei, se te olho disfarçadamente ou se contemplo a sua presença. Se caminho ou se corro em sua direção. Se lhe estendo apenas uma mão ou lhe ofereço meu abraço. Não sei se sorrio ao olhar em teus olhos, ou se mantenho a indiferença. Tenho dúvidas se aceito a despedida ou se lhe peço para ficar. Não sei se pergunto por quanto tempo vais ou se posso seguir contigo... Não sei se lhe envio os versos dedicados ou se apago-os ao terminar de digitá-los... Um dia ao recordar todos os poemas que lhe dediquei, reescreverei-os e a ti me entregarei. Imagem: reprodução da internet

(En)constraste-me

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