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Mais uma vez

Eu percebo que nem tudo está compreensível.
Tem coisas não ditas que estão nos ferindo como espada de dois gumes.
Demoramos a nos olhar e quando nossos olhos se encontram nos perdemos no vazio da incompreensão. E nos falamos como se houvesse milhas de distância entre nós.
Por que gritas?
Por que grito?
No início, apenas gestos nos bastavam.
Perdemos a intensidade e já basta à presença.
Não me olhe agora. Mire uma direção qualquer e fique em silêncio...
Vou novamente pedir a nossa música, mas, antes lhe peço que pense em nós; nos momentos que foram apenas nosso e em cada motivo que nos conduzia ao abraço.
Se nada vier a sua memória, quero a sua sinceridade...
Quando falares, olha-me nos olhos e reduza o tom da sua voz para o meu coração também entenda o que está acontecendo.
Porém, se não fores capaz, entenderei...
Ao contrário do início, desta vez seremos alheios e despretensiosos.

Antes, porém, vamos nos permitir mais uma vez.

Maryellen Crisóstomo

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30/06

Não peço à Deus a graça de poder narrar minhas histórias, apenas a dádiva de vivê-las. "É bom olhar pra trás E admirar a vida que soubemos fazer É bom olhar pra frente, é bom, nunca é igual Olhar, beijar e ouvir cantar um novo dia nascendo É bom e é tão diferente [...]" (Dessa vez - Nando Reis) Self: M. Crisóstomo

Dúvidas

M. Crisóstomo Ainda não sei, se te olho disfarçadamente ou se contemplo a sua presença. Se caminho ou se corro em sua direção. Se lhe estendo apenas uma mão ou lhe ofereço meu abraço. Não sei se sorrio ao olhar em teus olhos, ou se mantenho a indiferença. Tenho dúvidas se aceito a despedida ou se lhe peço para ficar. Não sei se pergunto por quanto tempo vais ou se posso seguir contigo... Não sei se lhe envio os versos dedicados ou se apago-os ao terminar de digitá-los... Um dia ao recordar todos os poemas que lhe dediquei, reescreverei-os e a ti me entregarei. Imagem: reprodução da internet

(En)constraste-me

Foto: M. Crisóstomo Trazia nas mãos a mais nobre das oferendas: a gratidão. No olhar, a humildade de quem aprendera que desta vida nada se leva. Tinha a voz calma e uma serenidade contagiante. A sua face revela as marcas inevitáveis do tempo que passa e leva consigo o que a juventude não pode conter. Seu olhar é compreensivo e de alguma forma, não me sinto inédita em tua presença. Sua experiência já sabe o que eu sentia e o quanto era efêmero. Toda força física agora convertida em palavras sábias. Com o timbre enfraquecido, ouvi-la exigia o silêncio interno. Ela mudou tanto que cabia perfeitamente no meu abraço. Sem pressa ou qualquer resistência, nunca hesitou adormecer ao som do meu coração. Não sabia quanto tempo lhe restava, mas, sentia que o meu estava esgotando. Texto: M. Crisóstomo